segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Reuniões sociais ( ou festas. )


Minha mãe vira pra mim e fala: "Esse Domingo vamos na festa de aniversário da japonesinha."
Eu dou de ombros, não ligo. Chega domingo, o compadre da minha mãe vem buscar a gente de carro pra festa. Levamos a tiracolo meu sobrinho selvagem, dado que minha irmã foi fazer coisa melhor.
Foda-se.
Chegamos na casa. Casa grande, num bairro tranquilo ( ou pelo menos aparenta ser. ) em São Paulo. Cumprimentos daqui e ali, tento achar um canto pra ficar.
Sala: Gente assistindo Faustão. Não, obrigado, Faustão me é indigesto.
Quarto: DVD ligado rodando...err...campeonato de vale-tudo japonês. Não.
Cozinha: gente comendo. E eu sem fome.
Comentário de minha mãe: "Você fica muito enfiado nesse computador, não conhece ninguém. Vamos ver gente diferente."
Ou: "Você não faz nada o dia todo."
Então tá, eu me enfiar na casa de parente, pra uma festa de aniversário de uma menina que eu nunca vi mais gorda é ser socíavel, é se enturmar?
Tem sentido eu ir pra casa dos outros pra...assistir TV?? Cadê o papo alegre? Ora, com certeza aquele pessoal teria coisas pra me contar, pra eu saber, pra ouvir e ser ouvido.
Fiquei na "festa" ( e bota aspas nisso! ) por obrigação. Não vou mais. Chega, é rídiculo.
Pra constar: puxei papo com uma senhora, conhecida antiga de minha mãe, conversamos, falamos de coisas dela e da minha família, não foi um papo que fosse mudar minha vida, mas poxa, pelo menos nos falamos.
Aquele monte de gente ali entrou, comeu, saiu, fez tudo e eu sequer sei o nome daquela gente.
E eles o meu nome.
Que se mude o nome. Onde se lê festa ou reunião social, se leia: reunião anti-social.
Nunca mais vou em "festa" de parente.
É isso. =/

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Improviso x Roteiro


É um problema, na verdade.
Quando eu jogava RPG em mesa, sempre fazia tudo de improviso. Sério, nunca fui de sentar, escrever história e pronto, ir jogar.
Normalmente, eu só tinha em mente algumas idéias gerais, normalmente voltadas aquele clichê dos heróis sairem lá fora pra ir salvar o mundo.
A diferença é que enquanto eles saiam lá fora pra salvar o mundo passavam mil coisas, nem sempre lógicas é verdade, mas passavam, conheciam outros personagens e não raro, até terminar a campanha, ficava aquela trupe de personagem + npc indo ver o vilão final.
Improviso. Eu deixava alguns ganchos pra trás, pro caso de precisar ( felizmente nunca precisei ).
Roteiro é o contrário, você escreve a história, cria os npcs, sabe o caminho que os personagens tem que passar.
Calculado. Em alguns casos, se os personagens fizerem algo fora do esperado, você tem uma ou duas histórias extras ( roteirizadas tb. ) para manter os personagens fazendo o esperado.
Ambos os estilos tem suas vantagens e problemas:

Improviso: Não exige preparação anterior. Simplesmente sente na mesa, cheque os personagens dos jogadores e se for o caso, peça para que eles façam alguma coisa. Quando a idéia vier, jogue-a na aventura e siga. Improvisando tudo. Algumas idéias simples casam muito bem com o RPG de improviso, e mesmo algumas mais complexas. Permite uma liberdade muito grande para os jogadores, e se o narrador tiver idéias, podem ir longe! Problema com o improviso é: os personagens envolvidos, necessariamente tem que ter idéia de onde estão pisando, estar familiarizados com as coisas do RPG e principalmente, com si mesmos. Ou seja, fazer improviso com quem não sabe direito sobre rpg pode ser ruim. Na minha opinião, um improviso rola melhor com quem já está acostumado.

Roteiro: Pede preparo, algum conhecimento de escrita para fazer um roteiro que envolva quem jogue, e não-raro, se alguma coisa escapar do script, pede jogo de cintura ou um outro roteiro pronto para essa intercorrência. Aspecto positivo do roteiro é que ele pode abrigar personagens de qualquer tipo, mesmo quem nunca jogou RPG, se o roteiro for bem amarrado, encanta, e pode muito bem estimular a pessoa a desenvolver seu personagem. Contudo, pede reciclagem de temas e abordagens e mistura com improviso, pois caso contrário, os jogadores tendem a se sentir como manipulados.

Gostaram do efeito de bloco de texto do Blogger? Legal, não?

Enfim, eu prefiro improviso mesmo. Se bem que as vezes que fiz as coisas com roteiro, me saí bem. Mas seria ideal tentar uma mistura de improviso com roteiro para dar mais robustez aos jogos em si, pelo menos em minha opinião.

É isso. =)

Férias à vista!


Até que enfim! Sabem, isso de trabalhar de sol-a-sol cansa, mesmo tendo momentos da mais pura preguiça, ostracismo e ócio em geral.
Em Novembro, vou tirar minhas férias. =) Não sei ainda se vou viajar como fiz no feriado de Páscoa, uma triste páscoa, pensando bem... ._.
Talvez eu fique em casa mesmo, dormindo tarde, jogando o bRO e rabiscando coisas no Google Docs.
Eu poderia aproveitar também e ir no Sebrae pegar algumas informações sobre abertura de pequenas empresas, posso também aproveitar e, com um pouco de sorte bater um papo com a Astásia sobre as coisas...Preciso ver coisas no meu Deviant Art também, tem o Pbem da Marília, que estou participando também...
E tem a Comissão do bRO também...
Tanto a se fazer e tão pouco tempo! ~_~
Ah, me perdoem o post.
O caso é que estou pensando nas melhores formas de ficar robotizado durante as férias! >_<

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Jabá


Olha, eu não sou de ouvir música, meu mp3 player tá encostado, rádio eu nunca ouvi nada que não fosse wanna be da Mix FM ( que por sinal, é besta, mas isso é minha opinião. ) e mesmo no pc tenho uma pequena quantidade de mp3s que não são ouvidos a tempos.
Enfim, música me é uma coisa ainda que meio obscura.
Mas falemos de jabá. Na verdade, ele existe em muitas outras coisas, mas o jabá na música ilustra bem como as coisas funcionam como um todo.
Começa assim: tu tem um grupo musical novo, chamado....humm...Ponto do Forró. =)
Acontece que ninguém conhece teu grupo, ninguém sabe que catsu é o Ponto do Forró.
O grupo dá uma sorte, e uma gravadora grande olha pra eles e pensa: "Acho que esses caras vendem bem..."
Daí começa.
Grava-se um CD, vá lá, um DVD com algum show ao vivo seria de bom tamanho também. Se faz muito hoje em dia; acontece um show com um grupo musical, e desse show, gravam e depois montam um DVD.
Ok, temos o CD e o DVD do Ponto do Forró prontos, mas...
Como fazer para os outros saberem da existência do grupo? Os fãs são insuficientes nesse quesito e nossa idéia é fazer o grupo Ponto do Forró ser conhecido por todo mundo.
Rádios.
Não é segredo pra mais ninguém. Toda rádio tem um programa ou mais que um, depende da rádio, onde se tocam "as mais pedidas", os "sucessos do momento" e por aí vaí.
Mentira.
Na verdade, o que acontece é: o dono / representante da Gravadora que tem o CD/DVD do Ponto do Forró chega neles e fala: "Te pagou tanto se tocar a música tal, do Ponto do Forró em tantos horários durante o dia."
Já prestou atenção, ao ouvir rádio, que quase sempre no mesmo horário e no mesmo dia, toca aquela música? Pois é.
Acordos. Pagamentos adiantados.
Jabá.
Claro , o dono da rádio tem que ter alguma grana, e se ela não vem do anuciante, que venha do dono da gravadora.
Então, além das rádios, pega-se uma agência de propaganda, se investe pesado em marketing.
Quando você anda pela rua, qualquer coisinha é desculpa pra ver banner, pôster, faixa, o caramba sobre o Ponto do Forró.
Vc liga o rádio. O que está tocando? Ponto do Forró.
Expandindo mais a coisa: você liga a TV, naquele programa dominical enfadonho. Quem está lá dando entrevista?
O Ponto do Forró.
Você está cercado. Pode até ser que você goste da música deles, caso não, paciência.
Você compra o CD / DVD deles.
Pronto, o jabá cumpriu a função.
Nota interessante nisso tudo é que os investimentos em jabá / propaganda são tão grandes que um CD ordinário, com capinha, encarte com as letras de músicas e quando muito, com algum extra, saem por preços absurdos.
20, 30 reais.
Porque no preço desses CDs está automaticamente embutido o preço do jabá, da grana que foi dispendida pra fazer o CD vender.
Quanto fica com o artista desse montante todo? Cerca de UM DÓLAR.
Assustou? É, é triste, mas é verdade. A gravadora carrega o piano nas costas, é verdade, com os gastos, então sobra pro artistas muito, mas muito pouco.
Artista quando saí dos holofotes, faz grana ou com shows ou com cachês diversos para propaganda de outros produtos.
( Falando nisso,você acha que a Pepsi chamou os Black Eyed Peas porque? ).
Isso é o jabá musical.
Valeu.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Coisas a serem feitas


Por esse que vos escreve

Me peguei hoje cedo conversando com minha mãe, e após uma olhada no espelho caí em mim que estou um bagaço sem tamanho.
- Sem foco. Não consigo pensar em escrever ou jogar rpg.
- Pele ressecada - oriunda dos meus consequentes banhos quentes, mesmo no verão.
- Olheiras - Não tenho dormido o suficiente há muito tempo.
- Cabeludo - Meu cabelo é crespo. Então, graças aos banhos quentes e a falta de corte, o aspecto do mesmo está beirando o horrendo.
- Gordo demais - em tempo, eu adoro comer. Mas essa barriga que se desenha em meu abdomem me encheu. E ela vai, no mínimo, diminuir.
Isso parece insight de algum metrossexual pobre, mas não é.
O fato é que preciso me cuidar.
É isso!

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Estagnação Comercial



Ok, vamos falar de negócios! Como eu e vocês que lêem esse blog tem conhecimentos de negócios perto do zero, vai ser uma discussão saudável, e o mais importante: de igual pra igual!
;-P
Então vamos lá.
Olha, o que eu tenho percebido de muitos negócios que rolam por aí é uma estagnação que, a meu ver, beira a burrice.
Ou a preguiça, como alguns preferem. =P
Tiro como exemplo as lojinhas do meu bairro. Aqui, é bairro residencial, prédio pra todo lado. Então o povo que tem garagem se sente meio que tentado a abrir alguma coisinha; uma mercearia, um salão de cabelereiro, locadora, lan house, botecos ( é o que mais tem por aqui. ) e por aí vaí.
Contudo, não sei o que rola nesse pessoal. Eles abrem a lojinha, ficam ali no ponto 1,2,3,10 anos!
Sério, tem pequena empresa aqui que está funcionando desde que eu era pequeno, com uns 10 anos e nunca foi além do bairro, embora tivesse essa possibilidade.
Porque isso ocorre? Comodismo? Possível. O mote das coisas é vc ter trabalho, ganhar dinheiro e ficar sossegado.
OPA!
Atente esse "ficar sossegado".
É igual a "não pensar mais no que fazer".
Daí, o negócio, que foi construído a duras penas ( ou talvez nem tantas assim ) fica ali, parado, estagnado, é um baluarte daquilo que poderia ser e não é.
Preste atenção vc mesmo: olhe aí do seu lado, onde vc mora, por onde vc anda. Quantas lojas de qualquer coisa aí vão pra frente? Que fazem lucro, que se expandem, que geram redes, que empregam gente?
Andando pelo centro de Carapicuiba, percebo que muitas lojas seguem esse esquema aí. Ficam ali, num cantinho, vendendo aquele tantinho e tá bom, não tem porque querer mais.
Mas ora!
Sei que dá trabalho, sei que tem que correr atrás e de boa, a turma tem preguiça até de pensar quanto mais de abrir negócio!
Mas é eu olhando como as coisas estão que eu caio em mim e percebo que se eu abrir uma empresa, não posso ficar nessa de estagnação comercial.
Tem que se mover, e a verdade é que as pessoas, pelo menos as que eu vi, nem cogitam a possibilidade disso.
Afinal de contas, eles são nada. E mesmo que tenham alguma coisa, continuando se vendo como nada.
E o nada...nada produz. =/
É isso.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Gigante Adormecido?



Muito se fala sobre a incapacidade do brasileiro para fazer coisas. Se diz que somos preguiçosos, que não queremos nada com nada, que fazemos errado, etc.
Contudo as coisas não são bem assim.
Tenho percebido, ao longo desses 31 anos, quase 4 deles na internet, que muitas coisas aqui no Brasil brotam do nada. De iniciativas particulares e não raro, viram referências em seus campos.
Como assim Fabiano?
Sendo mais claro: o Brasil é um país que não estimula as pessoas a fazerem nada de especial.
Não se tem estímulos maiores à leitura, nem a discussão racional, nem nada. Se tem alguma coisa, é um estímulo tímido pra caramba, quase não se nota. Exemplo bom de estímulo tímido é o concurso promovido para desenvolver jogos eletrônicos nacionais. Praticamente ninguém soube disso, e quem soube, não se sentiu inspirado a tentar, dado que o próprio concurso em si não tinha ânimo para se manter.
É um deserto, por assim dizer.
Além dessa falta de estímulo por parte do Estado, não raro, trombamos com a falta de estrutura. Quer dizer, vamos supor que você tem vontade de fazer algo. Um livro, como exemplo.
Você tem tudo digitado, impresso até. Você procura alguma editora. A avaliação de possibilidade de publicação do seu livro demora. Talvez porque os responsáveis sejam preguiçosos ou simplesmente não tenham tempo de avaliar os originais.
Vc engaveta seu livro por causa disso.
Outros impecilhos podem incluir burocracia, preço das coisas, má vontade e/ou um sistema viciado, onde se você não está incorporado a ele, não consegue fazer nada.
Como o Senado federal, por exemplo. ;-P
Enfim, é um cenário desolador. Não há estímulos, e quando você consegue fazer alguma coisa, você tromba com impecilhos. Às vezes, coisas pequenas, que poderiam ser resolvidas em 5 minutos, mas se arrastam por anos.
E em algumas outras vezes, esquemas enormes, que estão ali alimentando alguma coisa que normalmente não é bom que se saiba que está sendo alimentada ou mesmo que exista.
A ignorância é, as vezes, uma benção.
Mas, contrariando tudo isso, todo esse deserto, existem pessoas, instituições e mesmo particulares que conseguem fazer a diferença, e é deles que eu vou falar.
Meu exemplo particular: trabalho em um munícipio pequeno. A secretaria de saúde daqui tem aqueles problemas insistentes de cidade pequena: pouca gente para o trabalho, más condições do local de trabalho, ausência de comunicação entre os setores, entre outros.
No meu setor, trabalham 3 pessoas. Embora os entraves sejam enormes, marcamos exames e consultas especializadas nos Hospitais credenciados pelo SUS todos os meses, fazemos levantamente estatístico dessas coisas, e tudo que entra aqui é computado em bancos de dados improvisados para consulta posterior.
Não temos condições ideais de trabalho. Contudo, muita gente que vem aqui / deixa sua requisição de exame tem seu exame marcado.
Tiramos água de pedra, e na minha humilde opinião, fazemos um puta serviço.
Pelo SUS, hein? Esse mesmo que vira e mexe é malhado pela imprensa.
Um exemplo que eu vi pela TV: Vila Brasilândia, aqui em São Paulo, um dos bairros mais violentos da cidade, taxa de criminalidade alta. É uma favela horrorosa, que fica ali, perto do centro da Capital. É algo que dá mal-estar em quem é classe média, ver todos aqueles pobres uns perto dos outros num local abjeto, onde se mata por pouco ou nada mesmo.
Pois bem, no meio desse antro de fascínoras ( será? ) tem uma escola pública que é simplesmente referência em todo estado quanto a educação e cidadania.
Escola padrão no meio de bairro violento?? What the fuck??? ( Que merda é essa? Como pode?? )
Sim. A diretora da escola, junto com a Comunidade da Vila Brasilândia ( e por comunidade, entenda-se, pais, alunos, todo mundo ) criou uma referência em educação. Esqueça os colégios particulares, e as escolas públicas desgarradas, onde é terra de ninguém.
O ensino lá, no meio de sujeira, crime, violência, é exemplar.
Tiram água de pedra.
Ah, mas porque eu nunca ouvi falar disso?
Conta quantas escolas particulares tem em SP. Contou? É, tem um monte.
O dito popular diz que escola pública é ruim. Então, teoricamente, uma escola particular, onde você paga pra estudar ( atente esse detalhe ) é melhor.
Bem, essa escola pega esse dito popular e joga ele no lixo.
Agora, imagina uma coisa: e se isso saísse num Jornal Nacional da vida? E se todo mundo caísse em si que ensino pago é diferente de ensino de qualidade?
Muita gente por aí, que paga anúncio em comercial de TV ia se foder.
E definitivamente, isso não é interessante para esse pessoal.
Interesse de poucos em cima do que seria bom para todos.
Existem mais exemplos por aí, talvez você que me lê seja um desses exemplos, de gente que sem nada, faz mesmo assim.
Tira água de pedra.
Vamos fazer um oceano com isso!
Valeu.

Aprendendo...


A natureza humana não muda. Se alguém fez algo há 10 anos, 10 meses, 10 dias, o ato será repetido de novo em algum momento.
E de novo, de novo, e de novo.
Na verdade, o ser humano peca pela falta de racionalidade.
E como sabemos, um certo tipo de gente atraí para perto de si gente igual.
Daí é que se fazem as tragédias.
Triste. =(

Edit: O nome é TOYENNE. Não esquecer!

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

O Ciclo


Começa de forma simples. Você gosta de alguma coisa. Qualquer coisa mesmo. Um desenho animado específico, um tipo de comida, um lugar, uma pessoa, uma condição, pode ser qualquer coisa mesmo.
Certo, você gosta daquilo. Aquilo lhe dá um prazer tremendo. Entenda por prazer aquela sensação de bem-estar, que faz com que nós pensemos " Ah, me sinto bem com isso. "
As vezes, nem é percebido conscientemente, quer dizer tu não chega a pensar o que está acima, você não percebe, mas sempre que você faz aquela coisa, vem o sentimento de prazer. Dá no mesmo.
Então, o prazer que sentimos é bom, gostamos daquilo. Queremos sentir aquilo sempre, se possível for.
Aí começa o ciclo.
Você foca naquilo, no objeto de prazer, seja de forma consciente ou não, você começa a procurar aquilo sempre, a todo tempo.
Passa a ser o mote, a razão da sua existência.
Nesse ponto a pessoa se inebria com o prazer e fica irremediavelmente perdida nesse ciclo vicioso. Não saí mais dele. Melhor dizendo, não quer sair dele.
Oras, se o prazer que está sentindo é bom, porque sair dele, porque ir procurar outras coisas?
A pessoa se acomoda naquele ponto e ali fica, firme e imóvel mais que uma rocha de 700 toneladas.
Nesse estado, a pessoa se fecha e finda por ali.
Exemplos práticos desse exemplo podem ser vistos e observados em muitos lugares e pessoas diferentes, pode-se mudar o foco do prazer, mas o processo é o mesmo, com pouquissímas variações.
Outra possibilidade é a pessoa esgotar a fonte de prazer ( sim isso ocorre com mais frequência do que parece ).
Usa-se tanto, se obtém tanto prazer daquilo, que uma hora aquele prazer não tem mais o mesmo brilho, a mesma graça de outrora. Ou como costuma-se dizer, se enjoa.
A maioria das coisas atreladas ao capitalismo moderno seguem essa fórmula, gerando um ciclo eterno de procura, esgotamento / saturamento e nova procura por algo similar.
Claro, pode acontecer de, no meio do caminho desse processo, ficarem pessoas saudosas do prazer que essas coisas lhe davam, nesse caso, um retorno sazonal ( de tempos em tempos ) dessas coisas mais velhas, mesmo que com coisas novas rolando em paralelo, ajuda a agradar gregos e troianos.
E aí? O que te dá prazer? Um anime, um ator de cinema, um escritor, uma pessoa em particular?
Você está no ciclo que eu citei acima?
Pensa em sair?
Não responda isso pra mim, não sou consciência de ninguém, salvo de mim mesmo.
Certas respostas devem ficar para você mesmo.
É isso. =)

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Olhe ao Redor




Olhe para todos a seu redor e veja o que temos feito de nós.
Não temos amado, acima de todas as coisas.
Não temos aceito o que não entendemos porque não queremos passar por tolos.
Temos amontoado coisas, coisas e coisas, mas não temos um ao outro.
Não temos nenhuma alegria que já não esteja catalogada.
Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora, pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas.
Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos.
Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo.
Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda.
Temos procurado nos salvar, mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes.
Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de ciúme e de tantos outros contraditórios.
Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível.
Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa.
Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada.
Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos o que realmente importa.
Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.
Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses.
Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer "pelo menos não fui tolo" e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos.
Temos chamado de fraqueza a nossa candura.
Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo.
E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.

Sobre a autora:
Clarice Lispector nasceu na Ucrânia, mas viveu no Brasil desde os dois meses de idade. Suas obras mais famosas incluem Laços de Família, A Paixão Segundo G.H. e A Hora da Estrela. Nos textos, Clarice explora a solidão e a incomunicabilidade humana.

Retirado de http://www.tvcultura.com.br/provoca