quarta-feira, 21 de março de 2007

Anime Dreams, sonho de anime pra quem?

Certo, embora esteja atrasado pra caramba, vou dar minhas impressões sobre o AD.
Fui só no Sábado, estive em companhia do Marcelo, dono do site Mushi Comics ( link aqui: http://www.mushi-san.com/ ) e se eu esperava mais do mesmo, foi o que eu tive.
Com agravantes!
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Começou na fila do ônibus que levaria o pessoal para o local do evento. Uma faculdade completamente fora de mão. Fico imaginando quanto tempo seria perdido e quanta grana seria gasta para se chegar no evento e ainda por cima pagar pra entrar...Ponto pra Yamato que raciocinou pelo menos isso.
Passa uma menina pedindo grana pra comprar dinheiro do ingresso, módicos 15 Reais.
Penso comigo mesmo que ir num evento e não ter grana para entrar é simplesmente o fim da picada. Eles anunciam o preço com meses de antecedência, mesmo que fosse 100 reais pra entrar ( cala-te boca, não dá idéia pra essa cambada, Fabiano! ) sempre se tem como guardar um troco, pedir ajuda pra amigos, familiares, cobrar dívidas antigas que nunca foram saldadas...Enfim, ir em evento e ficar mendigando de estranhos grana pra entrar já me dava uma vaga idéia da tragédia que eu ia ver.
Ok, peguei o busão e fomo-nos pro local do tal evento.
Dentro do ônibus, um fulano oferece fotos do evento pra vender. Alguém pergunta se eram fotos de hentai ( leia-se pornografia ) ao passo que o fotógrafo diz que não. Ouve-se um "AAAhh.." decepcionado de algumas pessoas e não se toca mais no assunto das fotos.
Fico pensando se alguém acabou comprando foto desse cara.
Quando o ônibus estava quase chegando, um cidadão toma a frente e conta-nos uma triste história, de que ele seria um ronin ( samurai sem mestre ) que teve a família assassinada cruelmente e blablabla.
E pede-nos $$$ para comprar sua primeira espada japonesa. Que, coincidentemente, estaria a venda no evento, como bem constatei horas depois.
É ruim, hein? As pessoas perderam noção das coisas.
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Chegamos ao local do evento. Sem maiores demoras na fila, comprei meu ingresso, peguei um folheto com um "mapinha", que serviu para ir para o lixo, pois eu não tinha necessidade de ir em nenhum lugar mais específico.
Já na entrada, uma triste constatação: pilhas e pilhas de revistas para serem dadas de graça.
Uma revisteca chulé dessas que vem com CD de graça, no caso a Lan Life, com o primoroso ( *ironia ligada* ) Priston Tale ( *ironia desligada* ) e um clone de Counter Strike (CS pros intímos), voltado pra Segunda Guerra Mundial, War Rock.
E um gibi: Ronin Soul. ( http://www.roninsoul.com.br/ )
Eu tinha comprado o gibi quando o mesmo saiu em banca, no número dois, lá estavam pacotes fechados com o número 1. Eu sabia que o gibi tinha sido encerrado prematuramente, apesar das belas artes de capa e de páginas, Ronin Soul pecava pela história.
Na época, troquei alguns e-mails com Fabrício Belasco, roteirista da revista, ele disse-me que teria inclusive, uma linha de RPG baseada no gibi, além de outros lançamentos no mesmo formato de Ronin Soul ( mini-série de luxo em formato americano ), mas ali, no evento, com todo aquele monte de gibi encalhado à minha vista, eu vi que era tudo balela. Que quando a revista encalhou e parou no número 2, todo o mais foi pra gaveta ou pior, o lixo.
Esse é o destino de gibi que é feito se pensando mais em termo de arte do que história: o encalhe e posterior distribuição gratuita em evento meia-boca.
Espero que o Fabrício aprenda com esse erro, e caso volte a publicar alguma coisa no segmento de quadrinhos se recorde dessa pequena lição.
Porra, historinha com brasileiro negão que recebe espírito de samurai pra ir atrás de gema mágica perdida é foda! ( No pior sentido da palavra, infelizmente. )
Que merda Fabrício, eu não te disse nada nos e-mails porque tinha alguma esperança que tu fosse lançar outras coisas! Mas agora essa merda do Ronin Soul foi pro saco, tudo que tu tinha pra publicar ( se é que tinha mesmo...o que mais tem por aí hoje em dia é artista de uma obra só, vide o decrépito Emir Ribeiro e o limitado Marcelo Cassaro ) foi pro saco também, então estou no meu direito de esculachar.
Eu gastei meu dinhero com essa merda que tu ousou colocar na banca, e aí?
Rola um reembolso? Não né? =)
Tomar no cu, Fabrício! NO CU!
Foda-se.
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Voltando, como de costume, os cosplayers eram a graça do evento. Alguns visivelmente feios, mas como o que manda é a gente se divertir, tá ok.
Nos standes das editoras, nada de novo. Gibis vendidos por preço abaixo do valor de capa eram um atrativo para o lado consumista do povo otaku, mas nada muito além do esperado, pelo menos pra mim.
Curioso foi ver a nova "vertente" de trabalho para quem desenha: fazer caricaturas.
Mais curioso ainda, foi ver um enorme estande da editora parceira da Yamato, com os conceituados ( hehehe ) desenhistas da mesma editora, da famigerada escola Área E, fazendo...caricaturas.
Aí é pra rir, sério. Uma escola de desenho que ensina como fazer histórias em quadrinhos, uma editora que, supostamente, deveria publicar revistas diversas, entre elas de quadrinhos , mas manda seus artistas fazerem caricaturas, me faz pensar que o mercado de quadrinhos brasileiros, sejam eles mangás, comics, o caramba que sejam, não existem.
É melhor ( ou será mais fácil? Humm... ) ficar nas caricaturas mesmo.
Em tempo, não tenha nada contra Diogo Saito ou algum dos colegas dele. Só fico pensando comigo mesmo que pra alguém que faz desenho tão bem, pinta tão bem, ficar só fazendo caricatura é meio que "limitar" o talento não acham?
Fora que fazer caricatura qualquer desenhista razoável faz. Entre num shopping qualquer ou mesmo na rua e comprove.
Mas e os gibis? Aí necas, né?
Enquanto isso tenho que ficar aturando os 500 números do Tio Patinhas no Brasil ou os 30 ânus da Mônica ou dos Heróis da Marvel,que criam pra todo mundo, menos pra gente...
He, tá froids as coisas por aqui!
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Tá mais fácil fazer caricatura do que gibi por aqui!
Frase dita por um desenhista qualquer no fanzine expo, que por sinal tava uma droga.
Comprei alguns fanzines, mas nada de excepcional me chamou a atenção.
Muito "mais do mesmo" entre eles.
Ainda está para aparecer um fanzine com alguma história que eu aprecie ler, seja ele pornográfico ou não.
Mais tarde, posto aqui algumas resenhas do zines que comprei. Teve até zine que eu recebi indicação de gente calejada ( Quem?Adivinha! Ele tem link no meu blog. ) Que me decepcionou.
Talvez eu esteja me tornando uma criatura chata demais, talvez eu devesse me mudar para algum outro país ou me mandar pro Nordeste e virar camponês em alguma pequena propriedade irrigada e nunca mais me meter com essa gente besta!
Mas é a vida, são as pessoas. Ainda vou achar um zine que vai me dar gosto de ler e comprar fielmente.
Ou melhor, zine nada! Eu vou comprar REVISTA, sem essa de diminuir automaticamente o trampo desse pessoal que rala tanto tentando fazer gibi.
Falar "fanzine" ou "zine" é rotular o trampo desse pessoal como amador, e, por tabela dizer que é ruim.
É falar pra eles, nas entrelinhas, que ele nunca farão uma "revista", mas sim "fanzine".
Não é por aí ,embora eu concorde que tem muita revista por aí que se intitula como "revista", mas na verdade é fanzine de luxo.
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E os animes então?
De um lado, um estande de uma distribuidora séria, que paga o que deve aos donos dos direitos.
Estrelas da distribuidora? Full Metal Alchemist, Hunter vs. Hunter e Super Campeões.
Ok, as aventuras desses ultimos beiram o improvável, mas é bem melhor variedade do que ficar martelando Saint Seya pra convencer quem assiste que a coisa presta.
Convecimento por repetição é um mote muito usado, pensando bem...
Mas então, 3 títulos disponíveis em DVD para o mercado brasileiro. Por vias legais, tudo legítimo, pagando direitos autorais a quem merece.
Um respiro do mercado potencial de anime em DVD no Brasil, depois dos mal-fadados Vampire Miyu série de TV, o sofrível lançamento de Shaman King, que não passou de um volume, e dos sempre presentes Cavaleiros do Zodíaco, que se movem por causa de fã desmiolado que não caiu em si que Saint Seya só foi pescado do esquecimento porque ninguém mais aguentava ver a cabeleira loira do São Goku!
(Se bem que trocar o Goku pelo xarope do Seya é dose. Goku pelo menos fazia piadinhas,comia a mulher dele e falava coisa sem sentido pra agradar os filhos, coisa que o Seya tá longe de fazer.).
Não. Não posso dizer que o mercado de DVD de anime está respirando. Pois bastava eu andar um pouco no belo evento e ver o que de verdade acontece: ao passo de que tínhamos UM, eu disse UM MALDITO ESTANDE de uma distribuidora de anime( porque as outras distribuidoras não tão nem aí pra anime, o que rula e sempre rulou whatevah é Hollywood e Disney. ) tínhamos, chutando baixo, pelo menos DEZ estandes de "clubes de anime" como o finado Lum's Club, do nosso amigo de sempre, César T. Ikko, vendendo anime baixado na internet DE GRAÇA pra quem quiser.
Fazer trabalho legalizado? Pagar direito pros donos das marcas? HA! Faz-me rir você, seu tolo! Eu quero é o meu $$$ no bolso!
Seu eu fosse o dono da distribuidora que trouxe o Full Metal Alchemist, estivesse no Anime Dreams, e visse aquela míriade de "Clubes de anime" ( aka, pirateiros aproveitadores ), eu desistiria na hora.
Como aliás, muito sabiamente fez a Nintedo do Brasil ao encerrar as operações da Playtronic e deixar tudo na mão da Gradiente, e posteriormente a um pessoal aí; será que alguém lembra disso?
Brasil, Animes e Roubo: bela combinação.
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Ah, é! Tinham as salas temáticas. Coisas de fantasia medieval, algumas saletas onde o povo jogava ( ou fazia que jogava ) rpg de anime, as salas do grupo Cospobre, Mundo Rosa Sanguinário ( um fórum aí de fanfic dark ), teve até sala dedicada ao Chaves e demais obras do Roberto Gomes "Bolonhesa" e demais saudosistas, já que o Chaves está morto, longa vida ao Chaves, não é esse o mote?
Ah, teve uma sala, muito da picareta por sinal, intitulada "Anime Future".
Do que se tratava? Bem, a sala, claramente patrocinada pela editora JBC, os meus queridos que se preocupam em não deixar os otakus ainda mais otakus ( *ironia* ) consistia de muito mangá que abordava temas de "misticismo", caindo nessa categoria boa parte dos mangás do Grupo Clamp, curiosamente trazidos para cá pela própria editora.
Tinha um lance lá de você ver a sorte usando as Carta Clown, é, as cartinhas lá da meninota card captor...(Que por sinal é mais uma obra "bem boa" do Clamp ).
...Pagando uma pequena taxa.
Desnecessário dizer que quando li isso nem me arrisquei a entrar na sala.
Ah,sim! Teve uma sala de Yaoi e Yuri pros tarados (as) de plantão ( e também pros não tão tarados, whatevah! xD ) Mas era aquele negócio, não podia ser nada de hentai no meio, então as coisas ficaram mais limitadas do que o esperado, caindo naqueles animes/mangás mais conhecidos mesmo, tipo o Gravitation, Maria-sama ga miteru, Utena e demais congêneres.
Mas se formos olhar por outro prisma, nenhum evento de anime se dignava a fazer algo nesse sentido a alguns tempos atrás. Yaoi e Yuri eram temas muito censurados.
Hentai em geral também é censurado de uma forma bárbara (Embora alguns cosplays claramente pudessem ser cotados como algo muito próximo ao hentai, ecchi nesse caso.).
Ao que parece, a turma que organiza os eventos anda "afrouxando", mas vamos ver até onde o pessoal pode ( ou quer ) chegar.
Seria algo muito positivo, pelo menos em evento de anime, haver a tão sonhada "igualdade" sem nivelar todo mundo como idiotas.
Infelizmente, não foi o que eu vi nesse evento, e em outros os quais fui.
Pena. =(

2 comentários:

Caroline disse...

Fabs!

Esse seu post acabou com a minha vontade de ir em qualquer evento de anime em sampa. Prefiro ir aqui mesmo, onde custa quase a mesma coisa e é do mesmo jeito.

Enfim...
Beijos~

Carolzi

Fabiano Alves disse...

Carolzi, você pode sim, vir pra São Paulo, mas pra ver seus colegas, pra visitar parente, essas coisas.
Vir aqui especialmente pra ir em evento de anime é dose, salvo quando vem algum cantor japa fazer show.
Agora, eu fui em...*contando* uns 5 eventos desse tipo. Fui em Animecon e em Anime Friends, não vi grandes diferenças entre eles, salvo que o AF tem cantores.
Mas daí ocorre a pergunta: porque esses eventos tem que ser todos iguais?
Se poderia fazer algo mais positivo para quem mexe com anime/mangá aqui no Brasil, se poderia dar um rumo para vocês que desenham, que fazem animações pela net, que escrevem!
Mas não!
Agora, o triste é ver que independente do estado, quando o assunto é anime/mangá a turma não pensa em ajudar ninguém.
Salvo claro, os próprios bolsos.
Aí é foda.