
Bom, como pouca gente visita o blog ( e eu até acho melhor assim, não preciso ser o pop da internet. ) eu acredito que posso discorrer sobre esse assunto delicado.
Nossas identidades virtuais, nossos alter-egos, por vezes.
Um grande amigo meu está pensando seriamente em deixar de usar internet. Ele joga Ragnarok online comigo há alguns anos, brincamos de fazer rpg no jogo, conversamos por msn e pelo fórum de discussão, enfim, embora não sejamos conhecidos irl ( in real life , na vida real ) nos encontrando com frequência, posso dizer que, por compartilharmos coisas, ainda que no âmbito virtual, somos amigos.
Encontros ocasionais aconteceram, fomos ao cinema, comemos em fast-food, falamos bobagens e tiramos fotos juntos.
Agora, falando do meu amigo: ele trabalha e estuda de noite. Faculdade, sim.
E ele simplesmente não tem mais tempo / paciência para essa existência virtual.
Quando eu comecei a usar internet, há alguns anos atrás, eu tinha outra visão das coisas e principalmente, das pessoas que eu encontraria aqui.
Tenho a dizer que muita coisa que eu pensava caiu por terra.
Eu achava que as "pessoas de internet" eram mais educadas, cultas, falavam coisas mais interessantes.
E são.
Contudo, assim como na vida real, não são todas que são assim.
Concluí que aquilo que o mundo é, na vida real, o é também na internet.
Um espelho por vezes, meio torto do mundo em que vivemos.
Existem pessoas interessantes, com um papo legal, existem as engajadas em alguma causa, existem as tímidas, as safadas, todas.
A internet, guardadas as proporções, é quase como ir num bar na esquina ou numa balada puxar papo com um(a) desconhecido(a).
Só que a possibilidade você achar gente de outros lugares, cidades, e mesmo países, é muito maior.
E nesses, casos, como fazer para ter um contato maior com essas pessoas? Uma viagem para outro estado, dependendo de onde, pode ser providenciado com alguma antecêndia, dinheiro separado, passagem comprada, e vamos lá, passar um fim-de-semana ou com um pouco de sorte, até uma semana inteira.
Talvez um mês.
Mas e quando não temos essa possibilidade? Quando o dinheiro falta, quando não temos tempo ( terrível, hoje em dia somos acostumados, desde crianças, a termos ene deveres e obrigações: cursos, estágios, estudos, trabalhos de todo tipo... ) sequer para nós, como fazer?
E quando nos apaixonamos, o que fazer?
Não faz. Simplesmente assim.
Meu amigo está cansado dessa vida virtual, cheia de malandragens que já existem na vida real.
Está cansado dessa distância, mesmo com encontros ocasionais, que a internet nos coloca.
Não o culpo. Eu já me apaixonei pela internet algumas vezes. As meninas a qual gostei sempre estiveram distantes ou acabaram por sumir, assim como somem pessoas que conhecemos pessoalmente.
Já pensou nisso? As pessoas que conhecemos na internet somem quase do mesmo jeito que as pessoas que conhecemos na vida real.
Aquele colega que ficava conosco na escola, e que sumiu quando mudamos de sala.
Aquela menina, que mudou com os pais e foi para uma outra casa / apartamento na rua de cima e nunca mais foi vista.
Pessoas somem.
Você conhece aquele cara bacana na sala de chat ou por causa do orkut, vocês trocam msn e saem para beber algo no fim-de-semana, um dia, ele pára de aparecer no msn e o orkut dele pára.
Sumiu. Ninguém sabe o que aconteceu.
Eu não sei se meu amigo estará fazendo uma decisão acertada, deixando de lado o alter-ego virtual dele, só sei que ele está cansado disso tudo aqui, essa tal internet.
Tão útil, com tantas coisas, mas ao mesmo tempo, tão desoladora e triste quanto a própria vida.
Agora me respondam vocês, meus leitores, meus amigos virtuais, é preciso uma vida virtual, mesmo que a mesma nos desgaste para existirmos?
E se fossem vocês na pele do meu amigo? O que vocês fariam? Dariam um tempo? Sumiriam de vez?
Falem sem entraves.
Obrigado.