segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Pessoas comuns



Se de acordo com o BK, tá todo quadrinheiro brasileiro fazendo criações FANSERVICE e onanistas, o que diabo seria um exemplo decente de “história comum para pessoas comuns”? Aliás, qual a definição disso?
Olá!

Fernando, acho que o Lionel já te deu uma boa resposta, não? Vou dar minha contribuição.
O Zé um dia disse que uma boa história é como um bom
sexo.
É verdade! xD
Onanismo, quando muito é um prazer solitário.
Em alguns casos vicia.
Mas o segredo de uma boa história em quadrinhos é
agradar os outros.
Fazer bem gostoso, mas pros outros, entende?
Acerca de histórias comuns, pense em tudo de corriqueiro que acontece em filmes, novelas, séries deTV...os clichês, enfim.
Isso é uma produção normal. Voltada para as massas.
E porque elas precisam ser assim? Porque se você chutar o balde, as pessoas comuns não vão gostar e vão parar de assistir.
Note: está passando no SBT aquela novela, "Amor e Revolução".
Tiveram que censurar duas sequências de beijo lésbico
entre as personagens porque a audiência ia chiar.
Isso é um exemplo claro de limites, de até onde tu pode
ir com um produto de massa, no caso, uma novela.
É por isso que quase tudo que é pro público comum é
calcado em fórmulas, com algumas leves variações para
não chatear o grande público.
As novelas, são todas iguais. No final todo mundo casa,
filhos nascem e bandidos se ferram. Salvo algumas exceções.
De novo, com pessoas comuns tu não pode ousar.
MAS...sabendo como, tu pode.
Olha um outro bom exemplo de ousadia sem sair do foco
de atender as massas: o canal pago Nick, com
programação infantil e tal, sempre apregoa a não-violência
para seus tele-espectadores.
Esse canal exibiu Avatar: o Último Mestre do Ar ( A Lenda
de Aang ) em sua grade de programação e, supresa!
Avatar tinha violência, mortes e alguns capítulos tinham
uma pegada um pouco acima da média.
Isso num desenho animado, num canal pago cheio de regrinhas!
Um desenho americano! Americanos estes que são costumeiramente chatos de galochas!
Um desenho pras massas, sim. Mas teve ousadia!
Entende onde eu quero chegar?
Quem é o público comum? É todo mundo que está fora de nossos círculos, é o pessoal que gosta de cinema, de novela, que gosta do Roberto Carlos, que gostam de futebol, que lêem pouco, que lêem só livrinho indicado por revista pseudo-informativa.
Não são os nerds, os otakus, o pessoal que gosta de Jornada nas Estrelas e Guerra nas Estrelas.
Não é aquela menina que fuça site japa pra ouvir música da Hatsune Miku.
Quando você for criar coisa pra essas pessoas comuns, tu deve primeiramente, buscar conhecer o que elas andam fazendo, lendo, falando.
Elas estão no Twitter? Ótimo, o que elas falam?
Estão lendo alguma coisa? O quê?
Elas comentam de algum programa na TV aberta ou paga? Procure conhecer esses programas.
Assim você se aproxima dessas pessoas, as conhece
melhor em seus desejos e principalmente, anseios.
É como o Bk disse lá no podcast, sai na rua, vai na banca de jornal. Veja do que as revistas e jornais falam.
Inevitavelmente será disso que as pessoas comuns vão comentar.
O que o público comum, em maioria espera de uma obra?
- Que não demore demais. Porque muitos deles são ansiosos.
- Que o bem vença no final. Porque na nossa vida, o bem dificilmente vence.
- Que o bandido tenha chance de se redimir. Porque brasileiros tem isso de dar segundo chance pros outros.
- Que não existam coisas muito estranhas. Entenda como "estranhas" contextos como faroeste, super-heróis, entre outros.
- Que não se levante bandeiras. Porque brasileiros detestam o Estado e tudo que lembre ele. Muitos deles gostariam de estar em outros lugares que não o Brasil. Logo vc levantar a bandeira brasileira através de um contexto ou um personagem é pedir pra não gostarem.
- Que não tenha homossexuais. Por mais que a galera GLBT bata o pé e diga que tem que ser aceitos, as pessoas NÃO vão aceitar. Ou, caso tenha homossexuais, que eles fi quem em segundo plano. ( Notou que nas novelas globais personagens gays quase sempre são personagens secundários? ).

Agora, isso tudo que eu te citei Fernando, é o que eu observei desse tempo todo.
Não é só isso, claro, tem mais coisas, mais nuanças a serem consideradas.
Mas se você quiser fazer uma obra que possa ser aceita por pessoas comuns, considere-as!
Abração!

15 comentários:

Pedro Henrique disse...

Então para uma obra ser mais próxima da perfeição (para mim uma obra perfeita é aquela que é comercial e artística ao mesmo tempo, aliás, isso é possível?), ela deve ousar, mas sem se opor completamente as tradições nacionais? O povo brasileiro é difícil...

The Fool disse...

Precisamente!
Vc tem que achar um ponto de equilibrio entre a ousadia e a tradição de quem vai receber seu trabalho.
Claro, a maioria das pessoas não se incomoda com isso, se tu der qualquer coisa mais ou menos pra elas, elas vão consumir.
Novelas da Globo, por exemplo. Usam as mesmas fórmulas o tempo todo. Você assiste uma, assistiu todas.
Não tem muita ousadia porque é voltada pras massas.
Mas vai ver as mini-séries globais, como A Muralha, Memorial de Maria Moura, Um só coração, etc.
Ali já se permite um roteiro com mais ousadia.
Ou citando um caso mais novo, o remake da novela "O Astro".
E existem obras comerciais com valor artístico. Já assistiu "Up - Altas Aventuras" da Pixar? Aquilo lá é uma história da aventura final de um homem. O protagonista é um velho, num universo de animação onde só existem jovens e crianças.
Outro caso é o Hayao Miyazaki, ele é comercial, mas tenta passar uma mensagem pras pessoas através dos filmes dele.
Em Princess Mononoke, ele faz uma crítica à guerra, aos desmandos que as pessoas fazem, à destruição da natureza, isso são temas atuais.
Em "A Viagem de Chihiro" ele dá uma aventura e tal, mas por trás ele comenta a quantas andam as relações com pais e filhos. A Chihiro é uma menina distante dos pais, que, por serem idiotas, não sacam isso.
Você pode fazer obras comerciais comuns, sem nada de novo e mandar pro povo, eles consumirão desde que não se sintam contrariados.
Mas vc fazer uma obra comercial com algo mais é o ponto e deveria ser a premissa de qualquer artista.
Porque a Arte em si é contestatória, ela não joga pra manter o status quo das coisas.
A Arte joga pra mudar as coisas.
A Arte que se presta a manter as coisas exatamente como estão não é Arte de verdade.
E o povo brasileiro não é tão díficil de agradar não! A gente é que dá muita cabeçada mesmo!
Valeu!

Anônimo disse...

E o velho padrão da jovem muito humilde que se apaixona pelo rico fazendeiro mas o amor deles é difícil e isso gera uma grande trama de amor e ódio?

Inés Rodena tem todo seu trabalho baseado nisso e se deu muito bem com radionovelas, que depois foram usurpadas e transformadas em telenovelas.

Pedro Henrique disse...

Eu me preocupo muito quando estou escrevendo uma história, quero que ela faça o leitor pensar, refletir e ao mesmo tempo se entreter e fugir da realidade... Acho que é o dever do autor usar a escrita como forma de expor ideias.. Acho o povo brasileiro difícil pelo moralismo, uma vez vi na rua duas senhoras dizendo que a Globo está muito liberal ultimamente, que as novelas estão impregnadas de gays, de sexo, violência, e blá blá blá...
Gostei bastante desse artigo e de quando você escreveu sobre as massas, nesses dias estou tentando usar os conceitos de antropofagia cultural de Oswald de Andrade com os mangás, para ver se consigo atingir melhor nossa nação.

Lionel Ritchie disse...

Obra perfeita é barbada:
o cara faz o que o povo quer e no meio esconde algo nunca antes e visto e totalmente destruidor: o leitor comum que já leu e se divertiu tanto que até lê de novo. de repente ele percebe que tem algo mais ali e diz POURRA, AZEITONA! AINDA TINHA ISSO ESCONDIDO NO MEIO! ALAN MU É FODA.

Lionel Ritchie disse...

Dica do BK: pare de estudar antropofagia e cabacear. Isso é ficar se iludindo e fingindo. Escreva, apenas, e termine o que fez. Depois mostra aí pra galera.

Pedro Henrique disse...

Obrigado sir Lionel Ritchie, começarei a escrever com todo o vapor de uma máquina steampunk... Mas o que é Bk? É um blog? Desculpe minha ignorância, mas é que antigamente não navegava na internet muito, nesse mês que estou descobrindo o quão bom é navegar por esses blogs e como há coisas que posso aprender neles.

Lionel Ritchie disse...

bk = bacilo de COCK

Chef Max disse...

E que tal vitimização? Coitados sempre fazem sucesso.
Por exemplo, uma moça apaixonada por um rapaz que a convida para sair e coloca uma droga na bebida dela para estupra-la.

Qualquer aspecto que envolva abuso ou manipulação de um incapaz de se defender.

The Fool disse...

@ Anônimo: Você entendeu, mas se formos pegar a partir da Inês, ela teve uma referência, que certamente foi Balzac, em fins do século passado.
Então, ficaria mais ou menos assim...
Balzac => Inês Rodena => Trilogia das Marias ( Maria do Bairro, Marimar e Maria Mercedes, com Thalia).
Esse tipo de história é do agrado do público porque é tudo meio idealizado. Desde a mocinha pobre até o rapaz por quem ela se apaixona.
Esse modelo fala nas entrelinhas que qualquer um pode ser feliz e achar a pessoa certa para alcançar a felicidade.
Ok, nós sabemos que na vida real é muito raro isso acontecer, mas a ficção existe para isso.
Como vc bem apontou, note que com o tempo, a roupagem desse tipo de história teve que se adaptado. Saiu o Fazendeiro rico, entrou o empresário, o herdeiro de uma fortuna, o cara bem-sucedido que vive na cidade grande.
Esse tipo de adaptação é útil para que o espectador seja convidado ao mundo ficcional e que o principal: acredite naquilo. Creia que aquilo poderia acontecer realmente.
Vc tem que dar pro espectador um cenário ( e personagens! ) que ele tenha familiaridade. Que ele pense algo como: "Esse sujeito parece alguém que eu conheço!"

The Fool disse...

@ Pedro: Primeiro, aprenda como contar uma história. Começo, meio e fim, prender a atenção do leitor.
Aprendeu a fazer isso? Daí tu vai colocando IDÉIAS nas coisas.
Uma opinião sua, uma pesquisa que tu fez...
Agregue algum tipo de conhecimento ao que você fez e quer passar pro leitor.
Um exemplo, lá no meu fanfic teve uma parte onde aparece umas raposas.
Fiz uma pesquisa na wikipédia, por sorte o artigo sobre Kitsunes, os espirito-raposa do folclore japa estava bem completo, tirei minhas bases dali e fiz uma versão pra história.
Porque esse tipo de conhecimento as pessoas não tem.
Ou então, uma opinião, uma idéia, um "como seriam as coisas se tal coisa fosse assim?"
Fuça um pouco alguns textos anarquistas, os anarquistas são foda, Hakim Bay e seus discipulos também, essas coisas diferentes do normal eu acho legal colocar nas histórias.
Você comenta dos mangás...
Deu uma olhada nas coisas do Osamu Tezuka, Rumiko Takahashi, Go Nagai, esse pessoal das antigas que definiu um monte de modelos a serem seguidos?
Eu acho a Rumiko um treco maravilhoso, ela pega as lendas tradicionais japas e transforma em mangá. Tente conhecer eles, pode ser útil!
Abraços!

The Fool disse...

@ Lionel: Lionel Ritchie, meu fiel leitor! T__T
Mas é isso mesmo. História ducaralho é quando acontece isso. Que tu percebe o que o cara fez MESMO.
Teorizar pode até ser útil, mas pra pegar as manhas de escrever tu precisa...err..escrever, né?

@ Pedro: O Trocadilho do Lionel com Bacilo de Cock não é só brincadeira! xD
Bk ou Black Knight ou José Roberto Pereira ou JRP, é um conhecido nosso, escritor de livros, ex-jornalista, pensador, ateu e anarquista!
O velho é uma maravilha!
Você pode visitar ele indo no link pro podcast dele, o Mundo Obscuro.
Isso me lembra, preciso colocar um link pro blog novo dele, o Homem de Bem.
http://www.japanfury.wordpress.com

Tá aí, se quiser visitar!

The Fool disse...

@ Max: Coitados fazem sucesso, mas isso precisa ser dosado. Um personagem que não consegue reagir sob nenhuma condição fica chato com o passar do tempo.
Por outro lado, um personagem coitado demanda um bandido, e muita gente gosta de ver os bandidos fazendo os outros de bobos, não sei direito porquê! x)

Ace Hikari disse...

Não vejo o porque de ter que obedecer cegamente essas fórmulas.

Por mais que Death Note seja clichê(pois é tem sim,só alguns não perceberam)ele foge do casual e usual dentro de uma revista megalomaníaca como a Shonen Jump.

Se o povo não quer ver gay,bem perdendo,falta de clichê.....FODA******,se eu colocar ele como personagem principal em uma série shonen tenho certeza que aproximarei o público feminino e afastarei o masculino,mas se a série for boa o enredo em si e as batalhas,alguns garotos menos "medrosos" se arriscarão e leram a tal estória mesmo que seja as escondidas.Com isso tenho um público,pequeno,mas confiável.


Se for para se apegar a modismos e clichês eu desligo meu cérebro e espero a inspiração.E como você disse se quer uma estória aceita pelo povão siga isso,mas se quer mudar essa situação DEPRIMENTE nos mangás siga o caminho contrário.

Clichê assim como qualquer outra coisa pode ser um estorvo quando usado demasiadamente.

Lady gagagagaaggagagaga não é famosa somente por sua voz mas também pelo seu visual "diferente" dos demais.seguida(ou copiada se preferir)por nicki minaj e outras.Mas não é por isso que vai ser adorada por todos.eu mesmo não sou chegado nela.

Até.

The Fool disse...

@ Ace: Mas daí depende de cada artista o que ele deseja fazer de si e de seu trabalho.
Você pode sim, querer acrescentar algo para quem conhecer seu trabalho, não é errado.
Mas se você quiser fazer um trabalho apenas para pegar um filão e tirar uma grana, também não é errado. Você citou Death Note, mas tá cheio de anime e mangá por aí que tá sendo feito só pra "cumprir tabela" pra manter as pessoas entretidas, ganhar dinheiro e manter a máquina girando.
E bem lembrado, a Lady Gaga é uma opção musical "diferente" das outras opções, ela existe porque tem a necessidade de pegar o pessoal que não entrou no embalo com J-lo, Beyonce, Rihanna, Shakira, etc.
Mas no fundo, bem lá no fundo, a Lady Gaga funciona da mesma maneira que elas.
Vc muda a roupagem, mas a essência é a mesma.
Massificação.
E veja, assim como tudo, quando a época de todo esse pessoal passar, vem outros no lugar pra manter a máquina girando.
E assim vai, por anos a fio porque o público está sempre se renovando.
E pessoas, recebi um pergunta do Fernando Aoki, do blog Alma de Aço sobre obras que não deram certo, isso vai dar pano pra manga!
Vou responder lá e depois comentamos aqui.
Obrigado a todos pelos comentários!